Cantar o tradicional




O cante alentejano é um género musical tradicional do Alentejo. Normalmente é cantado por um coro que alterna as músicas com partes a solo e em conjunto. Podem utilizar instrumentos ou simplesmente apenas a voz. O cante é tipicamente lento e existem muitas pausas durante a música.
Sabemos a importância que tem fomentar nas nossas crianças o gosto pelo que é tipicamente nosso, pelas nossas tradições e fazer com estas não se desvaneçam no tempo.
 

Todas as semanas colocaremos um cante tradicional neste espaço do blog para que a tradição não seja esquecida.




Cantes alentejanos:

"Cantarinhas de Beringel"
 
Cantarinha de Beringel
de fresco barro encarnado
da água doce fazes mel
da fresca doce gelado
ai e essa tua esbelteza
que uma tal graça encerra
foi roubá-la a Natureza
prás moças da minha terra.
 
Cantarinha de Beringel
minha linda cantarinha
pequenina graciosa
delicada donairosa
ai toda tão maneirinha
as moças da minha terra
modeladas a cinzel
pequeninas delicadas
são como tu engraçadas
cantarinhas de Beringel.
 
Quando o sol no horizonte
vai morrendo p’la tardinha
lá vai a moça prá fonte
à cabeça a cantarinha
ai a moça é tão formosa
qual bonequita de louça
mas não sei qual mais airosa
se a cantarinha se a moça.

"Primavera Alentejana"

Rompe a Aurora, nasce o dia
Iluminando o montado,
Como um hino à alegria
Houve-se balir o gado.

Roxo, verde e amarelo
Olho à volta é o que vejo,
Não há nada assim tão belo
Ó meu querido Alentejo.

REFRÃO

Lindos campos verdejantes
Matizados de papoilas,
Já não são como eram antes
Mondados pelas moçoilas.

Perfumados de poejo
Os campos de solidão,
É assim o Alentejo
Que trago no coração.

O melro canta no silvado
O grilo no buraquinho,
E eu por ti apaixonado
Alentejo meu cantinho.

REFRÃO


"Alentejo És Nossa Terra"
 
Alentejo
És nossa terra
Lá estarmos agora
E a mocidade, com saudades
Ouvir cantar, como cantava outrora
 
Terra bela
Tão desejada
Casas singelas, de branco caiadas
Eu nunca esqueço que foste meu berço
Lindo cantinho, desta pátria amada
 
 
"Vou-me embora vou partir"
 
Vou-me embora, vou partir mas tenho esperança
de correr o mundo inteiro, quero ir
quero ver e conhecer rosa branca
e a vida do marinheiro sem dormir

E a vida do marinheiro branca flor
que anda lutando no mar com talento
adeus adeus minha mãe, meu amor
eu hei-de ir hei-de voltar com o tempo

 
 
"Eu ouvi um passarinho"
 
Eu ouvi um passarinho,
Às quatro da madrugada,
Cantando lindas cantigas,
À porta da sua amada.
Cantando lindas cantigas,
À porta da sua amada.

Por ouvir cantar tão belo,
A sua amada chorou.
Às quatro da madrugada,
O passarinho cantou.
Às quatro da madrugada,
O passarinho cantou.

Alentejo terra santa,
Tudo é coberto de pão
Traz o ninho na garganta
Lembra de bem a oração.
Traz o ninho na garganta
Lembra de bem a oração.
 
 
"Laurindinha"
 
Ó laurindinha
Vem à janela
Ver o teu amor
Ai ai ai que ele vai para a guerra
 
Se ele vai para a guerra
Deixai-o ir
Ele é rapaz novo
Ai ai ai ele torna a vir
 
Ele torna a vir
Se Deus quiser
Ainda vem a tempo
Ai ai ai de arranjar mulher.

 
"É tão grande o Alentejo"
 
No Alentejo eu trabalho
cultivando a dura terra,
vou fumando o meu cigarro,
vou cumprindo o meu horário
lançando a semente á terra.

É tão grande o Alentejo,
tanta terra abandonada!...
A terra é que dá o pão,
para bem desta nação
devia ser cultivada.

Tem sido sempre esquecido,
á margem, ao sul do Tejo,
há gente desempregada.
Tanta terra abandonada,
é tão grande o Alentejo!

 
"Olha a Chibinha, Mé , Mé , Mé"

 Olha a Chibinha, Mé , Mé , Mé
Olha a Chibinha que não sabe de quem é
Olha a Chibinha, Mé , Mé , Mé
Olha a Chibinha que não sabe de quem é

O trabalho é pró burro
E eu não quero trabalhar
A noite é para dormir
E o dia p'ra descansar

Quatro sardinhas assadas
E um copinho de água ardente
Quatro beijos e um almoço
Põem o velho contente

  Olha a Chibinha, Mé , Mé , Mé
Olha a Chibinha que não sabe de quem é
Olha a Chibinha, Mé , Mé , Mé
Olha a Chibinha que não sabe de quem é

Quarta-feira fui á feira
Fui por baixo e vim por cima
Fui comprar uma Chibinha
P'ra dar leite a minha prima

Não me importam os cavalos
Nem os palácios reais
Só queria ter uma adega
Trinta pipas ou mais

  Olha a Chibinha, Mé , Mé , Mé
Olha a Chibinha que não sabe de quem é
Olha a Chibinha, Mé , Mé , Mé
Olha a Chibinha que não sabe de quem é.
 
 
"Ó rama ó que linda rama"
 

Ó rama ó que linda rama
Ó rama da oliveira
O meu par é o mais lindo
Que anda aqui na roda inteira

Que anda aqui na roda inteira
Aqui e em qualquer lugar
Ó rama ó que linda rama
Ó rama do olival

Não m'invejo de quem tem
Carros, parelhas e montes
Só m'inveja de quem bebe
A água em todas as fontes

Ó rama ó que linda rama
Ó rama da oliveira
O meu par é o mais lindo
Que anda aqui na roda inteira(bis)

Que anda aqui na roda inteira
Aqui e em qualquer lugar
Ó rama ó que linda rama
Ó rama do olival

Eu gosto muito de ouvir
Cantar a quem aprendeu
Se houvesse quem me ensinara
Quem aprendia era eu

Não m'inveja de quem tem
Carros, parelhas e montes
Só m'inveja de quem bebe
A água em todas as fontes.
 
 
"Senhora Cegonha"
 
Lá traz a cegonha
No bico um raminho,
De meia encarnada
Vem dando chegada
Ao seu velho ninho.

Senhora cegonha
Como tem passado?
Não há quem a veja,
Não vai pra igreja
Pousar no telhado.

No seu velho ninho
Ponha ovos, ponha,
Que seja bem-vinda,
Branquinha, tão linda
Lá vem a cegonha.

Vem chegando Agosto
Um bando levanta
Anunciando a hora
De se ir embora
Leva a meia branca.

Senhora cegonha
Como tem passado?
Não há quem a veja,
Não vai pra igreja
Pousar no telhado.

No seu velho ninho
Ponha ovos, ponha,
Que seja bem-vinda,
Branquinha, tão linda
Lá vem a cegonha.

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